sexta-feira, 22 de junho de 2007

Uma zorra total

A noite foi de muitas risadas e um espetáculo ímpar. Sob a direção de Chico Anysio e a participação mais que especial do violonista Mario Eugênio, o ator Nelson Freitas deu um xou de humor e interpretação aos cidadãos Criciumenses na ultima quarta-feira.
Esbanjando simpatia e irreverência, Nelson fez narrações cotidianas e arrancou aplausos em cada piada, estremecendo a platéia feminina ao cantar ‘Rosas’, de Pixinguinha.
Um espetáculo imperdível, não apenas pelo nível, que pode ser considerado dos maiores, mas também pelo preço popular de 15R$. Valor simbólico se comparado com outros espetáculos que já aterrizaram na cidade com figurinhas da globo.
Acho que só vi o Elias Angeloni lotado daquela maneira quando assisti ‘Os meninos da rua Paulo’, quando, depois de muito tentar, consegui ouvir algumas palavras dos atores, já que a platéia composta por fãs enlouquecidas não consguia parar de gritar. Mas seria um crime comparar com ‘Uma Zorra Total’, onde as pessoas foram buscar naquela noite uma cultura fundamental, que finalmente cabia no bolso de cada um.
Eram pessoas de todas as idades, de todas as classes, todos com o mesmo propósito: a diversão. A boa, e por incrível que pareça, barata diversão.
A organização está de parabéns, e esperamos ter o prazer de presenciar mais peças como essa de Chico, com atores tão talentosos e libertos de arrogância como Nelson, e um Elias Angeloni tão cheio de sorrisos!
Então, que venha ‘O mágico de OZ’!

quarta-feira, 6 de junho de 2007

Quero voltar a ser criança

por: Fabrício Espíndola


Na segunda feira , 4, fui acompanhar uma visita a um aterro sanitário, o aterro de Sombrio, único no vale do Araranguá. Foi uma visita das crianças do primário de uma escola da rede municipal de ensino. A princípio uma visita normal, orientada pelo responsável pelo “lixão”, como são feitas várias vezes. Foi a primeira vez que acompanhei crianças neste tipo de “passeio”, como eles mesmo chamaram. Fiquei impressionado, há tempos não ficava num mundo tão encantador, ainda que por poucos minutos um mundo que me tirou do que vivo hoje.
No final de semana meu amigo Lucas Borges disse uma frase que realmente é a verdade “diversão está na constituição como um direito de todos, mas hoje (estávamos no boliche) estamos fazendo o que chamamos de diversão financiada. Não há um lugar para se divertir sem gastar dinheiro”. Essa é a mais pura verdade, e onde que essa frase se encaixa na visita das crianças? Se encaixa no momento em que falamos em diversão. O que aquelas crianças estavam fazendo lá fazia parte da aula, do aprendizado, de dicas para levarem para os pais sobre lixo, sobre separação do mesmo e sua reciclagem. Mas, para eles era uma diversão. Piscinas do líquido do lixo (que me fugiu o nome agora, mas provavelmente não sairá da cabeça destas crianças) eram vistas como rios. “Tio, é fundo, pode tomar banho lá?”, perguntava uma das crianças no auge de sua inocência, com a facilidade que ela acha que é viver.
Mas por que nós não vivemos assim? Por que nós estamos num mundo tão distante delas a tão poucos anos de diferença? Durante a visita vi empurrões, corridas desobedecendo as professoras, fuga na atenção de algumas delas para me observarem batendo foto, ou para olhar para o outro lado enquanto o orientador falava sobre o lixo ali tratado sem poluir o ambiente e as perguntas de algumas ligações que elas faziam das imagens que tinham de casa se juntando as dicas sobre o que fazer com seus lixos domésticos. Ao ser mostrado um brinquedo quebrado que estava em um dos lixos, provavelmente brinquedo de nenhuma criança de escola pública, o olhar destas crianças foi o da mais pura atenção, de pensar “quem será que quebrou? Um carrinho tão legal”, e depois ouvir de uma delas ao ser aconselhada a colocar garrafas de refrigerante pet separadas para a reciclagem a seguinte observação. “É verdade, dá de aproveitar as garrafas, eu um dia fiz um barquinho”, após esta observação o orientador tentou mais uma vez fazer com que a criança levasse o matéria para reciclagem lhe disse: É mas quando ele ficar velho tu não vai jogar no mato, ou na rua, jogue no lixo para vir aqui pra reciclagem”, e ouviu uma resposta que o deixou sem ação: “Não tio, quando ficar velho eu reformo”.
Se todos pudéssemos viver assim, com tanta facilidade, com tanta inocência, com tanta vontade de preservar e ver o mundo dando certo. Sem guerras, sem pensar em dinheiro, sem matar sem roubar. Empurrar seu amigo ao seu lado só porque ele pisou no teu pé, mas imediatamente lhe pedir desculpas e saírem brincando. A se eu pudesse voltar no tempo, o tempo em que tudo era lindo, em que tudo era fácil, em que eu ficava espantado ao ver meus pais brigando e pedia para que resolvessem de outra forma, pra que discutir por umas coisas bestas, pensava eu. Pensava também, o dinheiro é amaldiçoado, trás o mau, as brigas, porque não ficamos assim, todos no mundo das fantasias, de crianças que pensam no amanhã com amor e que acabam após seus crescimentos vendo que o mundo não é como pensavam. E acabam no final como eu, que quero VOLTAR A SER CRIANÇA.




Sabendo que eu nunca posto textos de terceiros, vocês devem imaginar o quanto esse me pareceu especial. Parabéééénnns Xompi!