segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Solidão dominical

Hoje é domingo pingo lilingo, faz muito frio no sul e a pedida do primeiro dia da semana (que eu continuo achando, deveria ser o ultimo) ainda é o pagodinho à vácuo. Domingo é o dia em que eu, independente e decidida (as vezes nem tanto), sinto falta de um abraço apertado e de alguém pra desenrolar os cachos do meu cabelo. E espero mesmo que não seja a única a sofrer desse mal, no qual eu chamo carinhosamente de solidão dominical.
Precisamos concordar: definitivamente esse não é o melhor dia da semana. Você pode escolher um filminho maneiro, mas não vai ter com quem dividir a pipoca. Pode rodar a cidade ouvindo Seu Jorge juntamente com o barulho da chuva, mas seria mais gostoso se você não precisasse dirigir, e pudesse dividir com alguém uma barra de Laka com passas e cereais. Vai dizer que orgias calóricas não são melhores quando acompanhadas? Pense pelo lado bom: você seria uma gordinha feliz, e não uma gordinha solitária em mais um domingo chato!
Mas calma, ainda existe algo que pode, de algum modo, salvar o seu interminável dia: a TV! Muito bem, ligo aquela merda na esperança de encontrar 24h de distração e tudo que encontro é a nova produção da globo: Três irmãs. É claro que as três são lindas, magras, felizes, vivem num lugar maravilhoso e devem ter, com certeza, os melhores domingos do mundo. Enquanto eu fico entediada na minha "solidão dominical", a TV mostra de 25 em 25 minutos as personagens de Carolina Dieckman, Claudia Abreu e Giovana Antoneli se relacionando com os personagens de Marcos Palmeira, Rodrigo Hilbert, Paulinho Vilhena e Dudu Azevedo. Coitada da Suzana, tem que escolher entre Eros e Xande.
Aqui em casa somos em três também: minha mãe, que brigou com meu pai ontem no final de uma festa, minha irmã de 15 anos que, no auge da sua crise existencial, se encontra no quarto navegando pelo orkut alheio, ouvindo alguma musica depressiva e apaixonada por algum bundão que deve "pegar geral" pela cidade, e eu, escrevendo sobre a minha solidão no auge dos meus 22 anos, num notbook sem sinal de internet (não da nem pra navegar pelo orkut alheio!). Pra melhorar, fiz uma cirurgia no pé na sexta-feira, não posso viajar mais essa semana e muito menos dar umas risadas no pagode à vácuo que citei no inicio do texto.
Agora são exatamente 23:06h, e eu vou dormir sem que ninguém tenha desenrolado meu cabelo rebelde ou dividido comigo a felicidade de comer um chocolate, espero dormir e sonhar com algo que me faça acordar irradiada de tanta alegria, tendo a certeza de que o tédio passou e que tudo voltou ao normal: é segunda-feira e os políticos fazem promessas escrotas na minha TV, faltam longos seis dias pra que a solidão dominical bata na minha porta novamente, e enquanto isso eu anoto algumas receitinhas da Ana Maria Braga, esperando que em algum domingo não tão solitário eu possa dividi-las com alguém que ache o meu arroz sem sal, o melhor do sul do mundo!

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