segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Meu querido péééééé...

Nunca pensei que eu fosse escrever sobre esse assunto: pés! Logo eu, que sempre achei pé a coisa mais feia de todo o corpitxo humano (isso não deve ser generalizado, algumas pessoas tem coisas bem piores que pés!).
Eu nunca coloquei em questão a funcionalidade dos mesmos, mas de fato aquela coisa comprida cheia de dedos engraçados não fazia muito a minha cabeça. E ouvir algumas pessoas dizendo sentir algum tipo de "fetiche" em relação a pés me dava ânsia! Alguém pode me explicar como alguém pode ter tesão ao olhar um dedão do pé? Definitivamente, existem coisas bem mais excitante, temos que concordar. Mas a questão agora é: pés são fundamentais.
Eu já fiz de tudo pra dar uma melhoradinha no "visu" dos responsáveis pelas minhas caminhadas diárias. Minha primeira tatuagem foi no pé: um pequeno golfinho, meigo, fazendo graça no pé direito pra enfeitar um pouco e disfarçar a feiúra que reinava absoluta por ali. Mas não adiantou muito, e algum tempo depois o golfinho brincalhão se transformou num dragão, e passou a fazer parte não somente do meu pé, mas também de mais 30cm da minha perna. Usei também aqueles anéis bonitinhos, que tiram a atenção do tamanho do seu dedo. Alias as garotas costumam usar UM anel, no meu caso foram 3 de cara: dois no esquerdo e um no direito. Tornozeleira então, tenho uma coleção! Mas nada disso me satisfazia.
Eu procurava também usar os tênis que disfarçavam mais o tamanho do numero 37/38 que eu calçava, mas como o All Star sempre foi meu favorito, eles continuavam parecendo uma lancha. E as legitimas havaianas precisam sempre ser um numero acima, ou seja, eu era obrigada a comprar uma sandália beirando os 40! Mas o pior nessa história toda é que os meus pés, esses mesmos feios e grandes nunca me deram tanto trabalho quanto agora: quando eu não consigo usá-los direito.
No começo era só um calo, coisa de gente que usa tênis o dia inteiro, dança e tal... Bastou um tratamentinho pra que ele fosse embora. Mas acho que ele se apaixonou pelo meu pé feio, e resolveu passear por ali novamente: ah tudo bem - eu pensei - é so fazer um tratamentinho que ta tudo beleza. Tudo beleza, quando?
A porcaria do medicamento que a dermatologista me receitou não ajudou muito, e eu simplesmente não conseguia mais caminhar direito ou calçar o meu all star gigante! E agora? Estariam os meus pés se rebelando contra a minha repugnação ao tamanho deles? Meus dedos teriam entrado em greve? Não pode ser, eles são feios mas eu nunca os chamei de inútil. Alguma coisa tinha que funcionar, não era possível... Eis que então, me apresentaram a solução: - cirurgia Ju, só com cirurgia.
Muito bem, marco aquela que então me faria andar novamente e dar mais valor aos meus pés feios. Vamos começar com a anestesia: dá pra imaginar uma dor que faz você sentir os músculos tremendo? É mais ou menos o dobro! O durante, até que foi tranqüilo (é claro!). Mas me pergunte como estou me sentindo agora? Gente, eu estou morrendo de saudades dos meus pés... E de dor também!
Ta certo, eles continuam sendo feios, grandes, e quem sabe até tem os dedos tortos (se alguém lá no começo sentia tesão por pés, perdeu nesse exato momento!), mas de fato eles fazem uma falta surreal no meu dia-a-dia, que limita-se agora em passar horas no msn, e andando da cozinha pro quarto. O que colabora não somente com a minha inutilidade em relação a todas as coisas, como na minha futura obesidade mórbida! Eu não sei quanto tempo essa rotina chata de saci pererê ainda vai reinar soberana sobre a minha pessoa, mas assim que eles, os pés, voltarem ao normal eu prometo, alias eu juro: vou comprar novos anéis, tornozeleiras e um novo all star para eles. Afinal, os pés podem não ser a parte do corpo mais sexualmente desejada (pelo menos, não do meu corpo), mas sem eles eu fico, quase que literalmente, sem chão! Ou seria, sem pisar no chão?

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Fora de moda

Eu não sei você, mas eu não tenho preconceito algum em relação ao homossexualismo. Muito pelo contrário, sempre tive amigos que na verdade gostariam de ser amigas, e muitas vezes foram melhor do que qualquer melhor amiga! O fato é que quando esse universo gay começa a invadir o meu mundo totalmente, completamente e heterosexualmente definido, esse lado "colorido" da vida começa a me incomodar um pouco.
Ta certo que essa moda emo mexeu um pouco com a cabeça da garotada, e eu já achava super natural que a minha irmã chegasse em casa falando que a Paula estava namorando a Joana, ou que o Guilherme levou um puta chifre do José, mas o que eu não sabia era que o movimento também era válido pra pessoas que, até então, eu classificava como bem resolvidas. Dá pra acreditar que aquela amiga que tanto te elogia, na verdade não esta somente querendo levantar o seu astral no termino do seu namoro?
Nunca fui a pessoa com mais amigas no mundo, aliás as meninas normalmente não iam muito com a minha cara. Todo colégio tem aquela garota que anda no meio dos meninos, adora esporte e vive com o joelho ralado. Além disso, alguém sempre inventa alguma historinha besta colocando a coitada como personagem. A coitada, nesse caso, sempre fui eu.
Quando eu estava na oitava série meu melhor amigo era um garoto, claro. Era surfista e bonitinho, eu diria até que um dos mais bonitinhos da turma, mas eu nunca tinha percebido que o colégio inteiro, ou pelo menos parte dele tinha interesse no cara que era, simplesmente, meu amigo. E eu só me dei conta disso quando só os garotos das sétimas séries falavam comigo. Eis aqui a explicação: certo dia alguma desocupada inventou que teria perguntando para mim sobre o paradeiro do então meu amigo, e eu respondi puxando a camiseta do uniforme, olhando pro peito e dizendo com um sorrisinho besta no rosto: AQUI ELE NÃO ESTÁ. Tenha dó, né?
Mas voltando ao assunto "colorido", hoje eu acordei com saudade desse tempo em que todas as meninas me viam como uma arquiinimiga. Não que eu fosse uma, mas eu me sentiria mais segura.
Veja bem, você consegue imaginar que a sua amiga, na verdade, sente um desejo um tanto quanto... diferente, em relação a você? Eu também não conseguia, até que o inimaginável aconteceu. E não contente em acontecer uma vez e me deixar completamente sem ação, ele aconteceu novamente. Eu não tinha uma amiga apaixonada, eu tinha duas amigas apaixonadas!
Como eu ia agora falar sobre a celulite que me incomodava no verão, se eu nem sabia ao certo pra qual buraco, literalmente, a dita cuja estaria olhando? E como eu ligaria a convidando pra algum programinha maneiro, com o meu jeito super meigo de falar: - Amore, chuchu, gatona, beibinha... Vamos dar uma voltinha? E onde eu ia enfiar aquela quantidade de apelidos carinhosos conquistados ao final das baladas iradas que já tivemos juntas? A frase "selinho pra selar a amizade" foi definitivamente excluída da minha linguagem e do meu jeito amoroso de ser.
Brincadeiras a parte (onde tá a brincadeira nesse caso?), eu continuo sem preconceito algum em relação a opção sexual de cada pessoa, e também não mudei o meu jeito carinhoso de ser, mas de fato, passei a dar um pouco mais de atenção aos meus amigos gays. Afinal, se algum deles se apaixonar, eu corro o risco de encontrar um namorado ex homossexual, e não uma ex amiga apaixonada!

Solidão dominical

Hoje é domingo pingo lilingo, faz muito frio no sul e a pedida do primeiro dia da semana (que eu continuo achando, deveria ser o ultimo) ainda é o pagodinho à vácuo. Domingo é o dia em que eu, independente e decidida (as vezes nem tanto), sinto falta de um abraço apertado e de alguém pra desenrolar os cachos do meu cabelo. E espero mesmo que não seja a única a sofrer desse mal, no qual eu chamo carinhosamente de solidão dominical.
Precisamos concordar: definitivamente esse não é o melhor dia da semana. Você pode escolher um filminho maneiro, mas não vai ter com quem dividir a pipoca. Pode rodar a cidade ouvindo Seu Jorge juntamente com o barulho da chuva, mas seria mais gostoso se você não precisasse dirigir, e pudesse dividir com alguém uma barra de Laka com passas e cereais. Vai dizer que orgias calóricas não são melhores quando acompanhadas? Pense pelo lado bom: você seria uma gordinha feliz, e não uma gordinha solitária em mais um domingo chato!
Mas calma, ainda existe algo que pode, de algum modo, salvar o seu interminável dia: a TV! Muito bem, ligo aquela merda na esperança de encontrar 24h de distração e tudo que encontro é a nova produção da globo: Três irmãs. É claro que as três são lindas, magras, felizes, vivem num lugar maravilhoso e devem ter, com certeza, os melhores domingos do mundo. Enquanto eu fico entediada na minha "solidão dominical", a TV mostra de 25 em 25 minutos as personagens de Carolina Dieckman, Claudia Abreu e Giovana Antoneli se relacionando com os personagens de Marcos Palmeira, Rodrigo Hilbert, Paulinho Vilhena e Dudu Azevedo. Coitada da Suzana, tem que escolher entre Eros e Xande.
Aqui em casa somos em três também: minha mãe, que brigou com meu pai ontem no final de uma festa, minha irmã de 15 anos que, no auge da sua crise existencial, se encontra no quarto navegando pelo orkut alheio, ouvindo alguma musica depressiva e apaixonada por algum bundão que deve "pegar geral" pela cidade, e eu, escrevendo sobre a minha solidão no auge dos meus 22 anos, num notbook sem sinal de internet (não da nem pra navegar pelo orkut alheio!). Pra melhorar, fiz uma cirurgia no pé na sexta-feira, não posso viajar mais essa semana e muito menos dar umas risadas no pagode à vácuo que citei no inicio do texto.
Agora são exatamente 23:06h, e eu vou dormir sem que ninguém tenha desenrolado meu cabelo rebelde ou dividido comigo a felicidade de comer um chocolate, espero dormir e sonhar com algo que me faça acordar irradiada de tanta alegria, tendo a certeza de que o tédio passou e que tudo voltou ao normal: é segunda-feira e os políticos fazem promessas escrotas na minha TV, faltam longos seis dias pra que a solidão dominical bata na minha porta novamente, e enquanto isso eu anoto algumas receitinhas da Ana Maria Braga, esperando que em algum domingo não tão solitário eu possa dividi-las com alguém que ache o meu arroz sem sal, o melhor do sul do mundo!